Internet: We are the Internet (A Internet: uma questão de pronome)

by isabella_lychowski

(for the Portuguese version of this Story, please scroll down)

The Internet is a constantly changing and thought-provoking entity. An age-old question, which is both archetypal and arrogant, yet at the same time quite poignant is: Who are we? But can you believe that the Internet has been helping us to unravel this mystery.

Before its development, the word ‘web’ would refer solely to the spider’s home, and we, as the mirror of the media, would surprisingly find ourselves the spectators of our own attitudes and would admire the lead characters in our own stories told by others. These ‘others’ did not differ greatly; they were the media, governments, frequently those with economic interests of the most varied kind. Most of the time, they weren’t exactly lead characters. Indeed, we did not even know them personally. However, although they were in the headlines and used to tell our histories in our place, we were either completely unaware of this or we had nowhere to turn or anyone with which to share it.

It’s true that we pulled down the Berlin Wall; we celebrated the release of Nelson Mandela and also opened our hearts to the possibility of peace. But We, Who? Where were our faces, who listened to our voices, where is the plaque with our names proudly inscribed? The heroes were others; those whose faces appeared on TV.

But then the heroes and lead characters began to change their names, and there is no small number. Their names are not so strange to our ears and might even sound quite familiar!

Those who publish the news have began to realize (some with pleasant surprise, others less so) that they are not the “owner” of the information, nor is the advertiser who sponsors that page. The function of the media is being gradually reorganized: the fourth power is familiarizing itself with its new role as gatewatcher. During this transitional phase, where the gatekeeper acquires new collaborators, in turn making him a kind of a co-star, we are working, more than ever, in teams. The stories we tell begin to belong to a wider and wider range of people, including those who really lived through them, their neighbors and friends of friends that “heard something” about it and who now, thanks to the Internet, are able to pass it on. There are those who were just passing by, but this no longer matters. What now matters is that there are now means with which those who previously went unnoticed are able to speak up.

It’s quite natural to see the media start the process of “canibalistically” rethinking its modus operandi. It’s also quite apt here to remember the verse of the song “Refazenda” written by composer and ex-minister Gilberto Gil when analyzing his achievements as head of the Cultural Ministry in Brazil (and literally translated here): “a tomato in the morning, a papaya at night” (“amanhecerá tomate e anoitecerá mamão“).

It’s this transformation that we have been watching. Wait a minute… Watching?! It is we that comment on our lives, not just the author of page 11 (blogs, relationship sites). It is we that decide what really deserves prominence, and not just the Editor of the front cover (civic journalism). In the worst (or best) of hypotheses, we make a joint decision (Oh my news). We also write a virtual encyclopedia (Wikipedia) in conjunction and share information, knowledge, experience (web 2.0), and also rethink the way the web should semantically be structured , making it accessible to an ever larger circle of users (web 3.0).

Do you have any doubts about a particular subject? Then, Google it. Will we really enjoy a certain movies? So watch a trailer on You Tube. Do we disagree with the lead in the papers which focuses on negative news? There are then such options as The Day of Light. Do we wish to help those suffering from severe hunger? Then click on the banners in the Hunger site, whose advertisers exchange each click for food. Do we want to become a volunteer, helping to include others in the digital world? So support projects like Mangaratiba Digital, where the sponsors offer education by providing computers and wi-fi connections to under-privileged communities. Do we want to become entrepreneurs, musicians, philosophers, “nothingness” practionners? Do we wish to use a server that is 100% green, light a candle for Tibet, neutralize carbon emissions, share, exchange, change, educate, learn?

The list is endless.

I apologize for repeating the pronoun “we”. But there is no way to talk about Internet without using this pronoun. And we are not talking about the archaic royal and dry “we”, but a pragmatic wiki “we”. It seems like we are starting an age of collaboration and interaction. It seems quite natural, therefore, to share with you a real story of lead characters of our; people of flesh and bone, who live their stories every day, in their little villages. They are inadvertently anonymous, yet as real and important as the experiences they have passed through.

(The author received these photos by email and does not know who these boys are except that they are from Brazil. But these photos do tell a story)

There is the tale of two boys who did not hesitate in saving a little puppy that fell into a drainage ditch. Yes, they are true heroes! Although this kind of attitude doesn’t receive the media attention it deserves, the story has already been spread by emails, sent on to hundreds of people. I was fortunate enough to receive it from a friend. We attempted to find out who these boys were, where they came from and who took the photographs. We have so far been unsuccessful.

However, with the advent of the “Internet”, it will not be long till we discover their names and then read about them in the papers. This will be another chapter in this story… Or should I say another post.

This story was translated into English by Carina Andion and Alexander Dale-Harris, to whom I am grateful. Gilberto Gil´s verse was a wiki translation and I´d like to thank Lucia, Aloy, Edwiges, Elisa and my father – Isabella

Story by Isabella Lychowski Rio de Janeiro, Brasil http://isabellalychowski.blogspot.com/

Portuguese Version

A Internet anda cutucando a onça com a vara curta. A pergunta é arquetípica, e portanto, imodesta, ancestral e assombrosa: quem somos nós? Mas não é que a Internet tem nos ajudado a respondê-la!

Antes dela, teia designava apenas a morada da aranha, e nós, no espelho da mídia, nos refletíamos (espantosamente!) como os espectadores de nossas próprias ações e admiradores de protagonistas de nossas próprias histórias recontadas por outros. Esses outros não variavam muito: ora era a mídia, ora os governos, não raro interesses econômicos de naturezas as mais diversas. Na maioria das vezes, não eram exatamente protagonistas, na verdade, sequer os conhecíamos pessoalmente, mas, embora batessem ponto nas manchetes dos jornais e contassem por nós as nossas histórias, ou bem não tínhamos consciência disso, ou bem não tínhamos onde ou para quem dizer isso.

É verdade, derrubamos o Muro de Berlim, comemoramos a libertação de Nelson Mandela e demos chances à paz. Mas nós… quem? Aonde estavam os nossos rostos, quem ouviu as nossas vozes, em que panteão estamparam ogulhosamente os nossos nomes? Os heróis eram os outros, aqueles que apareciam na TV.

Mas eis que os heróis e os protagonistas começam a mudar de nomes e já não são tão poucos. Eis que os seus nomes já não nos soam tão estranhos e chegam até a nos ser familiares!

Quem publica uma notícia começa a perceber (uns positivamente surpresos, outros nem tanto) que não é o “dono” da informação, tampouco o é o anunciante que bancou a página onde ela se encontra. Sorrateiramente (porque em uma velocidade vertiginosa) as funções midiáticas se rearrumam: o quarto poder aos poucos se familiariza com o seu novo papel de gatewatcher. Nessa fase de transição em que o gatekeeper ganha coadjuvantes que também o tornam um coadjuvante, mais do que nunca trabalha-se em equipe. As histórias que contamos passam a pertencer muito apropriadamente a uma gama bem mais variada de pessoas, que inclui desde aqueles que a viveram efetivamente em suas aldeias, até os seus vizinhos de porta, ou ainda os amigos dos amigos que “ouviram falar” daquele evento que agora, graças à Internet, é possível compartilhar. Há também aqueles que estavam apenas de passagem. Não importa. O que importa é que agora temos meios de dar voz àqueles que antes passavam despercebidos.

Nada mais natural do que ver a mídia iniciando o processo de repensar antropofagicamente o seu modus operandi. Igualmente natural lembrar aqui o verso da música “Refazenda” cujo autor, o ex-Ministro Gilberto Gil, usou em uma auto-citação ao fazer um balanço da sua gestão no Ministério da Cultura (Brasil): “amanhecerá tomate e anoitecerá mamão“.

É a essa transformação a que temos assistido, ops, assistido? Pois agora quem opina sobre nossas vidas, somos nós mesmos e não apenas o articulista da página 11 (blogs, sites de relacionamentos). Quem decide que fato merece destaque, somos nós mesmos, e não apenas o Editor da Capa (jornalismo cidadão). Na pior (ou melhor) das hipóteses, decidimos em conjunto (Oh my news). E também conjuntamente escrevemos uma enciclopédia virtual (Wikipédia) e compartilhamos informação, conhecimento, experiência (web 2.0), bem como repensamos a forma de estruturar semanticamente a web, de modo a torná-la capturável por um número cada vez mais inclusivo de usuários (Web 3.0).

Temos alguma dúvida sobre algum assunto? Pesquisamos no Google. Gostamos de muito de um filme? Assistimos ao trailer no You Tube. Discordamos da linha editorial dominante que privilegia as más notícias? Lançamos iniciativas como The Day of Light. Queremos ajudar a quem tem fome? Clicamos nos banners dos sites do Clique fome cujos anunciantes trocam cliques por pratos de comida. Queremos ser voluntários na inclusão digital? Apoiamos projetos como o Mangaratiba Digital, onde patrocinadores levam através da tecnologia sem fio computadores e educação a comunidades carentes. Queremos ser empreendedores, músicos, filósofos, nadistas? Gostaríamos de usar um servidor 100% verde? Acender uma vela pelo Tibete? Neutralizar emissões de carbono? Compartilhar, trocar, mudar, educar, aprender?

A lista é infindável.

Desculpem-me a insistência no pronome “nós”. Mas não há como falar de Internet sem usar esse pronome. E não estamos mais falando daquele “nós” majestático arcaico e empolado, mas de um nós pragmaticamente wiki. Putz, parece que estamos iniciando uma era de colaboração e de interatividade. Por isso, é tão natural compartilhar com vocês uma história real de protagonistas do nosso tempo: pessoas de carne e osso que vivem em suas pequenas aldeias as histórias do seu dia-a-dia às vezes ainda inadvertidamente anônimas, mas tão triviais e verdadeiras quanto a propriedade e a grandeza de suas ações.

Conheçam as “aventuras” de dois meninos. Não hesitaram em salvar uma cadelinha que caiu em numa vala. É verdade, são verdadeiros heróis! Embora ações como essas ainda não tenham recebido a divulgação que merecem, já circulam por aí atráves de e-mails que se replicam às centenas. Um deles, por sorte, me chegou através de uma amiga. Tentamos descobrir quem são os meninos, da onde são e quem fez as fotos. Ainda não conseguimos.

No entando, com o “advento” da Internet, não tarda o dia em que todos saberemos os seus nomes e leremos essa notícia em um jornal. E esse será um outro capítulo desta história, melhor dizendo, um outro post.

Story by Isabella Lychowski Rio de Janeiro, Brasil http://isabellalychowski.blogspot.com/

One Response to “Internet: We are the Internet (A Internet: uma questão de pronome)”

  1. it graciously dawned on me that the Internet is a blessing:

    “I sent them into the world […] I pray that they may all be one” (John 17:20)

    to be one, not the same (oh holy diversity!)
    to be united – everybody spreading (the) Good News!

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